Postagens

PRETINHO NORDESTINO

Estava eu nos últimos dias de atividades escolares. Os estudantes há essa altura já se encontravam de férias. Um dia lindo e para quem mora no litoral catarinense, dias lindos e abrasadores, significa deu praia, enquanto nós, os professores, estávamos fechando os temíveis conselhos de classe. Na segunda, havia trabalhado manhã, tarde e noite, no dia seguinte o corpo todo doía e a enxaqueca era forte, estar com os colegas o dia todo soa como estar no estreito de Kerch, que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, separando a Criméia da Rússia Continental. Os professores fazendo suas análises de conjuntura, o fulanito, a fulanita e o beltrano. Eis que no meio de tantas turmas, apareceu uma estudante causando um certo furor entre professores, a discente era famosa, ficando conhecida como a Carminha da escola, Seu pobre, era seu jargão preferido, Competindo com- Odeio vocês seus pobres, vamos lá para a banca de heteroidentificação, loira, e não se se enganem, o sul é a pátria dos brancos? Sim, de ...

EXÍLIO

 Entre o exílio do não ser A escuridão galopando em sua força total Uma névoa profunda, infinita, triunfante Talvez por um tempo, Mas qual tempo, Aquele que te trouxe até aqui A moira implacável, sorridente, vencedora. Se não podemos detê-la, o que fazer Aguardar o tempo Nem a escuridão infinita ou a luz de um amanhecer resistem ao tempo Nossas cegueiras e  ideias mal quistas, tampouco não se apresse, ele chega... As ideias se perdem,  os amigos por quais labirintos os deixei escapar Se alejaron de ti, no te recuerdas Gritavam maldita, mal parida Não há retorno, não se entristeça É o fim  ?  Não, diria uma pausa Um silêncio, um talvez De vez em quando É preciso perder-se de si Para quem sabe voltar a encontrar-se Nas reticências de um tempo qualquer Nos versos de um poema Na vida que segue  Nas memórias sufocadas Na verdade que um dia chega... Montevideo, 2018

ALAS ROTAS

Ganas de volver Volver hacía dónde Si tus alas están rotas Igual que una mariposa que al caer Si queda sin rumbo Embriagada por esta luz fuerte Que le ciega los ojos Y tus pies de hermosa mujer Te cuento que los he olvidado Quizás en algún pasillo Ya no vuelvo a encontrarlos Estes pies ya no son míos Serán de algún gigante Con gritos de orden Pero y tu alma Ella sigue, aunque destrozada Ahogada por aquellas que me decían compañera Si tus alas rotas Siguen tus caminos Caminos que ya no puede nombrarlos Pues, en este instante Ya no hay identidades fijas Solo tú y una sombra Dueña del tiempo, de tu tiempo Y de la libertad Montevideo, Mayo de 2018
Olhos de Amílcar De certo , era uma manhã como todas as outras. O que não era certo, era aquele vazio que sentia em alguma parte do corpo. Já ia esquecendo, meu nome é  Amilcar, tenho sete anos e sou alto, tão alto que quando era pequeno, tinha medo de ser um gigante. Dizia_ Mãe eu não quero ser um gigante, minha mãe ria de mim e as vezes me contava que eu nunca fui um bebezinho desses bem pequeninos, eu já nasci grande, 53 cm e 5 kilos. As pessoas olhavam pra mim e me diziam - Esse menino é gigante! Ficava pensando que cresceria tanto, tanto , que não ia mais entrar na minha casa, igual um filme que tinha visto com meus pais!! Deveria ter levantado, tomado café e ter feito as tarefas da escola. Mas aquela dor não deixava e daqui a pouco, minha mãe iria me cobrar. Por mais que eu não quisesse que ela brigasse comigo, preferi ficar jogando no celular, lá no fundo da minha cama, com vontade de deixar de existir. Em pouco tempo, estava a minha mãe na porta blá,blá,blá. A tarefa...
É como labirinto Vida na quebrada Morte na surdina Quando sobrevive, é tanta treta Diz aí Doutor, quem resiste? Tic tac, o relógio faz tic E o gatilho faz Tac Tô na Roleta russa A alma tá  um veneno Queria esquecer Deixar pra trás Aquela grade fechando A solidão me apertando Mas essa vida  aqui em cima mais parece uma furada Tô aqui na quebrada E essa carne Preta, Quanto  custa? Não custa...
Onde me vês Sou miragem Dor, resiliência Onde me escutas, Sou eco Loucura A loucura, que há em mim Escorre entre minhas pernas,  Desatina e recomeça Não, não se atreva Não me olhe,  Seu olhar, me causa náuseas, calafrios Nojo Quanto a seus privilégios,  Invisibilidade/Neutralidade, não sei Pegue seu corpo, sua maldade Suma, desapareça A sua existência,  Me mata aos pedacinhos E diz que não vê? Meu corpo,  No chão, em desalinho Minha mão, Estendida, pedindo todo o resto O teu resto Me transformastes Em lodo, ira, violência E agora! Agora, não me queres ver? Sua maldade não te excita? Como dormes,  Sabendo que o animal que vês em mim É aquilo, que de mais profundo Habita em ti... Branco,  Da cor da guerra,  Da morte, da lama Vai vendo, vai vendo O futuro é Preta ! ! E teu racismo,  não guenta.
Imagem
                                                           Foto: Shica A poesia transborda em imagens, sons e vida,  os versos capturam o instante, que se pode chamar felicidade...  E a imensidão da luz, afugenta o medo do escuro, que é infinito em minha alma